Conheça The Wldlfe, banda que transforma relações e inquietações em indie pop
Formada em 2015, em Indianapolis, nos Estados Unidos, The Wldlfe construiu sua identidade misturando indie pop, rock alternativo, new wave e elementos do pop contemporâneo. O grupo é formado por Jansen Hogan, nos vocais, Carson Hogan, na guitarra e vocais, e Jack Crane, no baixo. Desde os primeiros trabalhos, a banda chamou atenção pela capacidade de combinar melodias acessíveis com letras voltadas principalmente para relacionamentos, mudanças e situações emocionais que fazem parte da vida cotidiana.
A história começou a ganhar forma em 2016, quando a banda lançou o EP New, 2016. O trabalho apresentou músicas como Waterfalls e Somebody’s Gonna Love You e ajudou a estabelecer as características que continuariam presentes nos lançamentos seguintes. Embora a formação tenha surgido no Meio-Oeste americano, os integrantes acabaram seguindo para Nashville, cidade onde encontraram novas possibilidades para desenvolver a carreira e ampliar o contato com a indústria musical. A mudança não significou abandonar as referências que já faziam parte do som do grupo. Pelo contrário. The Wldlfe passou a trabalhar com ainda mais liberdade entre diferentes estilos. Guitarras, sintetizadores, linhas de baixo marcantes e refrões pop aparecem lado a lado, enquanto referências do rock dos anos 1980 convivem com elementos do indie e do alternative. Essa mistura é uma das principais características da banda e ajuda a explicar por que suas músicas não se encaixam facilmente em uma única categoria.
Em 2026, essa identidade aparece de maneira clara nos novos singles que antecedem o álbum Revolver. Um deles é Heart, música que fala sobre a dificuldade de deixar para trás uma relação que terminou. A letra parte de uma ideia bastante conhecida, mas explorada de forma direta pela banda: “the heart wants what it wants”, ou “o coração quer o que quer”. Mesmo sabendo que determinada relação não funciona mais, o personagem da música continua emocionalmente preso àquilo que viveu. A força de Heart está justamente nessa contradição. A razão aponta para uma direção, enquanto o sentimento insiste em outra. The Wldlfe não precisa transformar essa situação em um grande drama para transmitir a sensação de perda. A melodia e a interpretação de Jansen Hogan conduzem a música de maneira mais leve, criando um contraste interessante com o tema da letra.
Em No Sleep, a banda segue por um caminho semelhante, mas aborda o fim de um relacionamento de maneira ainda mais direta. A música apresenta alguém que tenta lidar com a realidade de ver uma antiga parceira seguir em frente enquanto ele permanece preso ao passado. Em determinado momento, a letra resume essa mudança com a frase “We were good, we were great, now we’re nothing”, que pode ser traduzida como “éramos bons, éramos ótimos, agora não somos nada”. O título da música resume o que acontece depois. “I’m getting no sleep”, ou “não estou conseguindo dormir”, transforma a insônia em consequência daquilo que não foi resolvido emocionalmente. É uma situação simples e reconhecível, mas justamente por isso funciona. A banda não tenta criar uma história distante do cotidiano; ela parte de sentimentos comuns e os transforma em canções pop com refrões fáceis de guardar.
Se Heart e No Sleep mostram um lado mais emocional do grupo, Parachute apresenta uma The Wldlfe mais próxima do rock. A música surgiu durante uma sessão de composição com Ricky Manning e nasceu da ideia de falar sobre se apaixonar sem transformar a relação em algo cheio de regras ou obrigações. O resultado é uma faixa que recupera algumas das referências roqueiras da banda, mas sem abandonar a preocupação com melodias pop. Essa aproximação com o rock também aparece na produção. As guitarras ganham mais espaço e a música tem uma dinâmica diferente dos singles mais centrados na melancolia dos relacionamentos. Ainda assim, Parachute não soa como uma ruptura completa. É mais uma continuação do processo de evolução de The Wldlfe, que vem procurando novas maneiras de trabalhar elementos que já estavam presentes em sua música.
Outro lançamento dessa fase é Lips, uma música que começou a ser desenvolvida durante as sessões do trabalho anterior da banda, mas acabou ficando de fora. Quando os integrantes voltaram à composição, encontraram uma nova possibilidade para a faixa. A ideia era preservar aquilo que fazia a música soar como The Wldlfe, ao mesmo tempo em que permitia apresentar uma versão diferente do grupo.
Essas músicas fazem parte da preparação para Revolver, novo álbum de The Wldlfe, anunciado pela Riser House Records para outubro de 2026. O disco terá 14 faixas e reunirá os singles apresentados ao longo do ano, entre eles Heart, No Sleep, Lips e Parachute. O álbum também deve ampliar a combinação de rock, pop, indie e alternative que vem sendo construída pela banda ao longo de sua trajetória. A escolha do nome Revolver também combina com esse momento da carreira. Depois de anos desenvolvendo uma sonoridade própria, The Wldlfe parece interessada em revisitar algumas de suas referências e apresentá-las sob uma perspectiva diferente. Não se trata de abandonar o indie pop que ajudou a definir o grupo, mas de permitir que guitarras, sintetizadores e influências do rock ocupem espaços diferentes dentro das novas músicas.
Antes dessa nova fase, a banda já havia lançado trabalhos como I’m Not Worried Anymore, Waking Up Is Hard To Do, 2019-2020 e Repaint My Mind. Em 2023, veio Goodbye To All Of That, primeiro álbum do grupo, ampliando sua presença na cena independente norte-americana. A partir daí, os shows e turnês passaram a ter um papel cada vez mais importante na trajetória do trio.
Hoje, The Wldlfe ocupa um espaço interessante entre o indie, o pop e o rock alternativo. Não é uma banda que depende apenas de uma fórmula ou de uma sonoridade específica. Heart mostra sua capacidade de transformar uma separação em uma canção pop envolvente; No Sleep trabalha a dificuldade de seguir em frente; e Parachute aponta para um lado mais roqueiro e expansivo.
Para quem está conhecendo o grupo agora, essas três músicas funcionam como uma boa apresentação. Elas mostram diferentes momentos de The Wldlfe e ajudam a entender o caminho que a banda vem percorrendo desde os primeiros EPs. Com Revolver, o trio tem a oportunidade de reunir essas diferentes influências em um mesmo trabalho e mostrar até onde sua sonoridade pode chegar.













