Anthrax está de volta com seu trash metal em “It’s For The Kids”

A lendária banda de thrash metal Anthrax surpreende o cenário musical mundial com o lançamento de seu tão aguardado single e videoclipe de retorno, intitulado It’s For The Kids. A faixa atua como a primeira amostra visceral do décimo segundo álbum de estúdio do grupo, batizado de Cursum Perficio. Essa tempestade sonora reverbera pelo tempo, marcando uma nova e raivosa era para os veteranos nova-iorquinos que ajudaram a moldar as fundações da música pesada nas últimas quatro décadas. Gravado durante um dia chuvoso e cortante de dezembro, a produção audiovisual mergulha os espectadores nos corredores frios e decrépitos do famoso e infame Asilo Pennhurst.

Esse cenário sombrio e desolador funciona como uma grandiosa homenagem visual, remetendo diretamente ao icônico clipe de Madhouse, lançado nos primórdios da carreira do grupo. Diversos detalhes cenográficos, estéticos e atmosféricos desse clássico absoluto acabaram recriados de forma meticulosa. Essa escolha de direção transporta a audiência para a mesma sensação claustrofóbica daquela época, simulando as gélidas condições em que as gravações originais ocorreram. Os fãs assíduos do quinteto ganharam grande destaque, sendo considerados a verdadeira força vital de toda a produção. A legião de devotos teve a oportunidade de experimentar a fúria da canção antecipadamente e, através da sua energia caótica, trouxe o ambiente infernal do clipe à vida.

Assumindo o comando criativo da obra, o diretor e produtor Don Argott capturou a essência da banda tocando intensamente no local abandonado, em meio a aparições aterrorizantes de pacientes atormentados. Nos bastidores desse espetáculo visualmente opressivo, a produtora NINE14 Pictures viabilizou a estrutura complexa nas ruínas do asilo. A direção de fotografia, assinada por Jarred Alterman, investe em tons frios, luzes intermitentes e movimentos dinâmicos que amplificam a urgência da faixa. Esse panorama hostil encontrou sua finalização perfeita nas mãos do colorista Freddy Bokkenheuser, com os trabalhos de pós-produção conduzidos pelas instalações da Picture Shop. Essa união de talentos garantiu uma estética de pesadelo, flertando constantemente com a loucura.

No centro desse turbilhão rítmico, os riffs insanos de Scott Ian e o peso da base criada por Charlie Benante e Frank Bello pavimentam o caminho para que a voz de Joey Belladonna alcance níveis de puro desespero e contestação. A canção toca direto em feridas abertas da sociedade americana moderna, expressando imensa frustração com a inércia política diante de tragédias repetidas. Incorporando esse sentimento de revolta, o forte trecho da música que grita “Your thoughts and prayers mean nothing” ecoa como um protesto enérgico contra o comodismo. A arte converge com a realidade implacável, canalizando um grito de basta em poucos minutos de guitarras ferozes, provando a vitalidade inesgotável dessas lendas inquestionáveis do thrash.

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