Segue o Som da banda Edge Of Sanity

O lançamento do remaster de 2026 de Uncontroll Me pela Century Media Records, resgata a fúria visceral do Edge Of Sanity, reafirmando o impacto do álbum Cryptic no cenário do death metal melódico. O vídeo, sob a cuidadosa produção de Jeffery Ritch e assistência de Niklas Lagström, utiliza uma estética visual que traduz perfeitamente o sentimento de claustrofobia e libertação contido na letra. Ao observarmos a performance de Roberth Karlsson nos vocais, apoiado pelas guitarras de Andreas Axelson e Sami Nerberg, fica claro que a proposta da Century Media Records com esta reedição é elevar a experiência sonora a um novo patamar de intensidade, permitindo que a cozinha rítmica de Anders Lindberg e Benny Larsson ressoe com uma clareza antes impossível.

​A composição lida com a dualidade entre a repressão social e o desejo de anarquia interna, exemplificado no verso – “I feel that chains are holding me down, the normal norm is keeping me bound” – , ou “sinto que correntes estão me segurando, a norma normal está me mantendo preso” – . Essa necessidade de romper com o cotidiano e abraçar o caos pessoal é o combustível para a obra, onde o protagonista clama – “I need an overdose of adrenaline, free me from grace and let me live in sin“, expressando o desejo por uma overdose de adrenalina que o liberte da graça para viver no pecado” – . A música flui como um desabafo de quem busca se desvencilhar de um corpo que se tornou uma prisão, uma ideia reforçada por Immediate Productions através de cortes rápidos e sombras que envolvem a banda.

​O ápice lírico e musical ocorre quando a sanidade se fragmenta por completo, ecoando o refrão poderoso – “Uncontroll me, I need to face and vent my extremes“, que em tradução livre seria descontrole-me, eu preciso enfrentar e ventilar meus extremos – . A faixa explora a degradação da forma humana em prol de um poder bruto e incontrolável, admitindo que – “what I’ll become will not be humane, as my own body keeps me restrained“, indicando que “o que ele se tornará não será humano enquanto seu próprio corpo o mantiver contido” – . Ao final, o que resta é a percepção de uma mente em ruínas, onde – “every ounce of sanity is pulverized“, ou cada grama de sanidade é pulverizada – , consolidando este retorno como um marco essencial para os entusiastas da cultura nerd extrema e da música pesada de alta qualidade técnica.

​A discografia de estúdio da banda reflete essa evolução constante, começando com o impacto visceral de Nothing But Death Remains (1991), seguido pelo amadurecimento de Unorthodox (1992) e a exploração de The Spectral Sorrows (1993). A consagração definitiva veio com o aclamado Purgatory Afterglow (1994) e a obra-prima conceitual de uma única faixa, Crimson (1996), que elevou o death metal progressivo a outro patamar. Nos anos seguintes, o grupo lançou Infernal (1997) e o controverso Cryptic (1997) — este último apresentando Roberth Karlsson nos vocais no lugar de Swano —, encerrando sua jornada criativa com o épico retorno de Crimson II (2003), que serviu como o capítulo final de uma história marcada pela quebra de barreiras musicais.

A trajetória do Edge Of Sanity teve início em 1989, na Suécia, consolidando-se rapidamente como um dos pilares mais inovadores do death metal mundial sob a liderança do multifacetado Dan Swano. A banda começou com uma sonoridade bruta e tradicional, mas logo passou a incorporar elementos de rock progressivo, melodias complexas e uma alternância vocal que definiu novos padrões para o gênero, especialmente com o auxílio de músicos como Andreas Axelson e Sami Nerberg. Ao longo dos anos 1990, o grupo navegou por mudanças de formação e experimentações sonoras ousadas, tornando-se uma referência cult até o seu encerramento oficial, deixando um legado de sofisticação técnica que ainda ressoa em produções contemporâneas, como as reedições recentes da Century Media Records.

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