A cantora e compositora Alexia Evellyn regressa com uma força avassaladora no seu mais recente lançamento, “Stand In Your Power”. A obra mergulha nas profundezas da autoaceitação e da libertação feminina, propondo uma ruptura drástica com as expectativas sociais. Logo nos primeiros versos, a artista declara a sua intenção de romper amarras: “I need to learn how to say no / To feel it’s not forbidden” (“Preciso aprender a dizer não / Sentir não é proibido”). Essa confissão íntima atua como um convite para que o ouvinte acompanhe a sua jornada ao tentar eliminar a figura da “boa rapariga” e a fantasia irreal em que ela habita, assumindo o papel de criadora do seu próprio destino.
O ambiente visual e sonoro da canção transporta-nos para um universo místico e profundamente visceral. Com realização de Jesus Mendes, o videoclipe ilustra na perfeição essa transição de uma inocência forçada para uma essência selvagem e liberta. Através da representação de sentimentos personificados por atrizes como Joana Lapa (na pele da dócil “Good Girl”) e Letícia Bergamo (como a “Joy”), a narrativa visual espelha as emoções cantadas. A artista expressa o desejo de abraçar a vulnerabilidade em frases marcantes como “I wanna dive down in my emotions / Naked, true and honest” (“Quero mergulhar nas minhas emoções / Nua, verdadeira e honesta”), correndo livre por florestas metafóricas e reais, num ato de verdadeira purificação.
No cerne desta composição reside um chamamento instintivo, sublinhado por uma produção musical densa e texturizada, que contou com a colaboração dos coautores Bastian Langebaek e Jonny Lattimer. O refrão ergue-se como um grito de guerra, um feitiço cantado para a alma: “Uh Stand in your power / Hold on to the howl in your deeper nature” (“Uh, mantenha-se em seu poder / Agarre-se ao uivo de sua natureza mais profunda”). Funciona como um lembrete contundente de que a salvação vem do interior e de que a ligação à terra e às raízes fornece a força necessária para enfrentar o mundo, rejeitando qualquer salvador externo.
O encerramento da jornada musical de Alexia Evellyn funde o inglês com a língua portuguesa, trazendo uma proximidade terna e simultaneamente crua à canção. Os versos “Aqui nesse cais / entrego meus ais / e a dor faz nascer a fé” ressoam como um eco poderoso de cura espiritual. A dor metamorfoseia-se em crença, e a matéria escura da raiva serve de adubo para gerar vida numa terra outrora fria e empedernida. O tema convoca qualquer pessoa a reescrever a sua narrativa, ancorando-se firmemente na sua própria e indomável essência.

