Olha que bacana!
Certa empresa criou um imenso problema, apresentou uma “solução” questionável e ainda tem quem aplauda, acreditando na falsa vantagem. Foi exatamente isso que a Microsoft acabou de orquestrar. A gigante da tecnologia inflou absurdamente o preço do Game Pass, rasgando a promessa de que a gigantesca compra da Activision Blizzard jamais serviria de pretexto para reajustes.
Para agravar o cenário, a marca mergulhou em uma profunda crise disfarçada de reformulação interna. Vimos a recente aposentadoria de Phil Spencer, que comandou a divisão de games por muitos anos, acompanhada pela inesperada saída de Sarah Bond, pavimentando o caminho para a executiva Asha Sharma assumir o cargo de CEO da noite para o dia. Tudo isso ocorreu logo após amargarem severas perdas de assinaturas e quedas drásticas nas vendas dos consoles, uma situação fortalecida por decisões desastrosas, como a interrupção do fornecimento do Xbox Series X no mercado brasileiro. Na tentativa de amenizar o desgaste contínuo, anunciaram às pressas um hardware de próxima geração. A boa e velha cortina de fumaça, digna das manobras corporativas opressoras vistas no clássico Syndicate Wars.
Depois de todo esse teatro, a Microsoft veio com a cartada final, oficializada pela nova líder da divisão Xbox. A grande jogada foi a redução do preço do Game Pass Ultimate, que obviamente não retornou ao valor original, fixando-se em R$ 76,90, com o detalhe oculto de que futuros lançamentos da franquia Call of Duty perderam a garantia de chegar no primeiro dia ao serviço, mas sim após 1 ano de seu lançamento. Mesmo com essa nítida desvantagem, tem gente aplaudindo com a bunda e engrossando o coro de que “o Xbox voltou”. Como sempre, os gamers caem nessa falácia batida e o ciclo de exploração fica por isso mesmo.
Sinceramente, nem sei o motivo da minha reclamação, depois de duas gerações seguidas no lado verde do controle e com um Playstation 5 para exclusivos, tive que parar de jogar. Talvez a frustração venha do fato de ter investido anos cobrindo, analisando e vivenciando esse meio, para agora estar extremamente decepcionado com o triste momento que a indústria atravessa. Para quem respirou as eras de bronze, prata e ouro dos jogos, testemunhar esse fim melancólico soa como uma triste poesia escrita em bits.


No mundo corporativo, as mudanças podem ocorrer de uma hora para outra, sem necessariamente uma estratégia pre planejadas, mas apenas para se adaptar a uma realidade do mercado. Nós mesmos, quando temos necessidade de ajuste, ajustamos. Porque não uma grande corporação não pode se ajustar a algo que não está dando certo ?
Nesse caso o erro era “evitável”. Erraram e continuaram inistindo no erro. Sei que ser mestre de obra de obra pronta é fácil, mas é só analisar os 10 últimos anos da divisão Xbox que você entenderá o porque de terem cavado a própria cova.