A Bloomberg Originals entrevistou a “madrinha” da i.A., Fei-Fei Li, em uma conversa conduzida pela jornalista Emily Chang. O foco do encontro foi explorar as recentes inovações no campo da inteligência artificial e os planos audaciosos da cientista com sua nova startup, a World Labs, avaliada em um bilhão de dólares. Durante a entrevista, a pesquisadora explicou sua visão de que o futuro da tecnologia reside nos modelos de mundo, superando a atual dependência exclusiva dos grandes modelos de linguagem usados em chatbots convencionais.
Fei-Fei Li possui um histórico de pioneirismo focado em visão computacional. Ela criou o ImageNet em 2006, um vasto catálogo que ensinou as máquinas a enxergar e ajudou a impulsionar a era moderna da IA ao lado de outros acadêmicos, como Geoffrey Hinton. Atualmente, sua empresa foca no conceito de inteligência espacial. A ideia central é desenvolver sistemas capazes de prever e interagir de forma consistente com o mundo físico, executando ações e guiando máquinas em tarefas complexas que textos isolados jamais conseguiriam realizar.
Segundo a cientista, a verdadeira evolução tecnológica virá da capacidade dos sistemas de compreender a geometria e a física do ambiente real. Ela divide a inteligência espacial em três funções vitais: renderização, simulação e planejamento. A World Labs já apresentou resultados expressivos com a plataforma Marble, uma ferramenta capaz de gerar mundos tridimensionais totalmente exploráveis a partir de comandos visuais ou textuais. Esse tipo de recurso possui extrema utilidade para desenvolvedores de jogos, produções cinematográficas e no treinamento de robôs físicos.
No decorrer do papo, Emily Chang abordou as preocupações sociais e os riscos de concentrar muito poder na mão de executivos do Vale do Silício, citando lideranças do mercado como Eric Schmidt. A entrevistada defendeu que as regulamentações devem ser baseadas na ciência real e criticou figuras que assumem um “complexo de divindade” nas tomadas de decisão sobre o destino tecnológico. Com um otimismo pautado na evolução histórica e referenciando os ideais de Martin Luther King Jr., Fei-Fei Li concluiu afirmando sua crença de que as ferramentas do futuro, se orientadas por uma governança coletiva, servirão primordialmente para beneficiar e “empoderar” a humanidade.



















