Adentrar o universo sonoro da Sylosis exige fôlego e disposição para encarar uma torrente de riffs implacáveis, mesclada a emoções viscerais. Consolidada como uma força formidável do metal contemporâneo, a banda britânica capitaneada pelo engenhoso Josh Middleton continua a desafiar os limites acústicos e criativos. Mergulhar na essência do grupo significa confrontar verdades desconfortáveis sobre a fragilidade humana, um traço marcante presente em cada acorde distorcido e vocal rasgado. O ouvinte experimenta uma jornada catártica formidável, descobrindo um refúgio vigoroso para canalizar as próprias angústias e exorcizar demônios internos através do peso esmagador das guitarras.
O impactante álbum The New Flesh coroa a fase madura dos músicos, trazendo à tona a colossal faixa Spared From The Guillotine. Esta música atua perfeitamente como porta de entrada para quem deseja entender a alma sombria e enérgica da banda, refletindo anos de dedicação inabalável ao gênero. A letra afiada atira o público em um cenário mental desolador, ilustrando a sensação crua de sentir “Cold spit, eyes filled with grit” e a imersão num inescapável “spiritual deficit”. Eles traduzem a agonia física e psicológica de quem sobrevive “under a glass ceiling”, transformando o peso da opressão constante em um combustível rítmico desenfreado e incisivo.
A estética do videoclipe espelha milimetricamente o desespero lírico, embalada pela direção de fotografia sombria e imersiva de Pavel Trebukhin e pela presença marcante da atriz Anna Theory. Todo o trabalho sonoro ganha contornos monumentais sob a mixagem do próprio Josh Middleton, a masterização lapidada por Adam ‘Nolly’ Getgood e a coprodução minuciosa de Scott Atkins. Essa engrenagem técnica impecável, somada ao suporte estrutural de profissionais como a produtora Ellie Clapperton e o executivo Dan Matthews através da Ramshackle Productions, constrói um pesadelo audiovisual palpável. Cada detalhe, desde o design até a arte gráfica concebida por Snakehed, ecoa a urgência claustrofóbica narrada nos versos cortantes.
Ouvir esses gigantes britânicos significa abraçar o confronto direto, rejeitando meias palavras e posturas conformistas diante das adversidades da vida. O clamor enfurecido nos versos finais, advertindo “Don’t lower my vibration, you’re stood where I drew the line”, define a postura inquebrável da Sylosis frente às energias sugadoras do cotidiano. Eles alertam categoricamente que “time won’t spare you from the guillotine”, exigindo que abracemos a fúria visceral e encontremos vitalidade no meio do caos. Entrar nesse mundo sonoro traz uma clareza impressionante, provando que o barulho ensurdecedor pode ironicamente trazer a paz de espírito necessária para encarar o amanhã de cabeça erguida.

