Carpenter Brut transforma o synthwave em máquina de guerra no visceral Speed or Perish

O retorno da colaboração entre Carpenter Brut e Seth Ickerman em “Speed or Perish” soa como um motor V8 ligado no meio de uma catedral gótica. A faixa, que pavimenta o caminho para o lançamento do álbum Leather Temple, abandona a polidez nostálgica que saturou o gênero synthwave nos últimos anos para abraçar uma brutalidade mecânica. Ickerman, visionário que já havia traduzido a sonoridade do músico francês em imagens icônicas, aqui eleva a aposta visual ao transformar a tela em uma arena de gladiadores motorizados, onde a narrativa dispensa diálogos em favor do rugido de máquinas e da violência coreografada.

​A estética de Midwichpolis, a cidade distópica que serve de palco para este capítulo final da trilogia Leather, surge com uma granulação suja, quase tátil. Diferente de produções que buscam um futurismo asséptico, o clipe exala o cheiro de óleo queimado e ferrugem. As cores saturadas e a iluminação neon não servem para enfeitar, mas para acentuar a carnificina das máquinas de guerra que colidem em um balé destrutivo. É uma celebração do caos que remete aos filmes de ação e ficção científica visceral dos anos 80, executada com uma precisão técnica que beira o obsessivo e rejeita o uso preguiçoso de CGI.

Musicalmente, a faixa confirma a guinada de Carpenter Brut em direção a um peso quase metálico, deixando as melodias pop de lado para privilegiar riffs de sintetizador que funcionam como percussão agressiva. Essa escolha sonora reflete o tema de sobrevivência ou morte que intitula a música. A estrutura da composição empurra o ouvinte contra a parede, sem oferecer respiros, mimetizando a urgência da perseguição visualizada pelo diretor. É uma sonoridade desenhada para confrontar, distanciando-se intencionalmente do que o artista critica como a suavização do metal moderno, optando por uma abordagem crua e direta.

Com a chegada iminente do álbum em fevereiro de 2026, “Speed or Perish” funciona como um ultimato e uma declaração de princípios. A obra encerra um ciclo narrativo iniciado em Leather Teeth e aprofundado em Leather Terror, prometendo amarrar as pontas soltas da saga de Bret Halford e sua vingança contra o brilho superficial do mundo. Para o público que acompanha essa jornada, o vídeo oferece a confirmação de que o darksynth ainda pode ser perigoso, cinematográfico e capaz de contar histórias complexas sem dizer uma única palavra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top