A transição da Nintendo para o ambiente tridimensional encontrou sua forma mais pura em The Legend of Zelda: Ocarina of Time, título que ditou as regras de aventura para toda uma indústria. Ao assumir o controle de Link, o jogador atravessa as vastas terras de Hyrule em uma jornada que intercala a inocência da infância com o peso da responsabilidade adulta. A mecânica de manipulação do tempo, mediada pelas melodias da Ocarina, permitia uma interação profunda com o cenário, onde cada nota tocada ecoava através das eras para impedir a ascensão do tirano Ganondorf.
O design de jogo introduzido por Shigeru Miyamoto e sua equipe estabeleceu padrões que permanecem vivos, como o sistema de Z-Targeting, que resolveu de forma elegante o caos dos combates em 3D. A sensação de liberdade ao cavalgar com Epona pelas planícies, aliada à trilha sonora envolvente de Koji Kondo, transformou o Nintendo 64 em um portal para um mundo vivo e pulsante. Explorar templos complexos, como o infame Water Temple, tornou-se um rito de passagem para os jogadores, consolidando a obra como uma experiência de amadurecimento tanto para o protagonista quanto para o público.
Atualmente, essa obra-prima pode ser revisitada através do serviço Nintendo Switch Online, que preserva a experiência original, ou pelo aclamado remake para o Nintendo 3DS. O título não é apenas um registro histórico, mas uma aula de construção de mundo que continua influenciando sucessores modernos, como Breath of the Wild. O legado da Triforce permanece intacto, provando que a magia de Hyrule é imune ao desgaste dos anos.
Curiosidade: O sistema de combate foi diretamente inspirado por lutas coreografadas de chanbara (cinema japonês de espadas). Para entender como Link deveria se mover em um espaço tridimensional, os desenvolvedores visitaram um parque temático em Kyoto e observaram atores encenando combates samurais, o que resultou na fluidez dos movimentos e na dinâmica de travar a mira nos inimigos.

