A revolução narrativa promovida por Neil Gaiman em Sandman alterou permanentemente a percepção pública sobre o que os quadrinhos poderiam alcançar. Ao retirar o foco dos confrontos físicos tradicionais para explorar a metafísica dos sonhos, a obra apresentou Morpheus, o Rei dos Sonhos, como um protagonista melancólico e tragicamente rígido. Através das páginas publicadas pelo selo Vertigo da DC Comics, acompanhamos a jornada de reconstrução de um reino e de um ser que, após décadas de aprisionamento, descobre que até os imortais precisam evoluir ou perecer.
O aspecto visual da série sempre foi uma colcha de retalhos experimental, contando com o talento de artistas como Sam Kieth, Jill Thompson e as icônicas capas coladas de Dave McKean. Essa pluralidade estética servia perfeitamente para apresentar o restante dos Perpetuos, uma família de personificações antropomórficas que inclui a carismática Morte e o manipulador Desejo. O roteiro de Gaiman costurava mitologia clássica, folclore e dramas históricos com uma sensibilidade literária que atraiu um público que, até então, ignorava as prateleiras das comic shops.

O impacto dessa saga foi tão profundo que sua adaptação para o audiovisual foi considerada impossível por quase trinta anos. Somente em 2022, com o avanço tecnológico e o suporte da Netflix, a obra ganhou vida com Tom Sturridge encarnando o senhor do Sonhar. Mesmo com a transição para as telas, a essência filosófica dos quadrinhos originais permanece como um pilar fundamental da cultura nerd, sendo essencial para quem busca histórias que desafiam os limites da imaginação. Atualmente, o material original pode ser encontrado em edições de luxo da Panini Comics ou acessado digitalmente em plataformas de leitura da DC.
Curiosidade: O visual da personagem Morte, uma das figuras mais queridas da HQ, foi inspirado em uma amiga real do desenhista Mike Dringenberg chamada Cinamon Hadley, que era uma dançarina e modelo da cena gótica de Salt Lake City, e não em uma figura mitológica tradicional.



